Parque Nacional de Aparados da Serra – Itaimbezinho

Parque Nacional de Aparados da Serra – Itaimbezinho
5 de outubro de 2014 gefe-silva

Os planos.

Em nosso projeto de registrar pontos turísticos e esportes de ação pela região, os dias 20,21,22 e 23 de Setembro já tinham destino certo, a cidade de Urubici em Santa Catarina. Planejamos dois dias de folga e aguardávamos apenas o sol aparecer para irmos rumo a mais uma aventura.

Durante toda a semana que antecedeu nossa “mini férias” o tempo estava nublado e chuvoso, então deixamos para reservar hotel somente no dia da nossa partida, ou seja, Sexta feira (19/09) à tarde!

Na manhã da tal Sexta feira, outras ideias começaram a passar pela minha cabeça. Pensei em uma mudança de planos! O nosso objetivo em Urubici poderia facilmente ser executado em um final de semana não estendido, então pensei em utilizar estes quatro dias para algo mais complexo.

Para explicar melhor a mudança nada melhor do que um pouco de história…

O passado.

Nossa história com os cânions nos remete ao ano de 2002, quando fizemos nossa primeira visita à belíssima Gramado – RS. Na época, munidos de barraca e de um veículo Gol 1999 fomos conhecer Gramado, Canela e também os cânions, que fazem a divisa entre o RS e SC. Para encurtar a história, saímos de Gramado em direção aos cânions (para acampar por lá) em uma Terça-feira. Chegamos lá e o parque estava fechado, pois abria de Quarta a Domingo. Como na época as informações ainda não viajavam na “velocidade da Web” como viajam hoje, não sabíamos que os demais cânions não possuíam tal restrição e fomos embora, deixando assim nossa visitação de lado.

A estrada de acesso era terrível, levamos 3 horas e meia para percorrer 53 Km! Jurei nunca mais colocar carro meu naquele inferno!!!  Mas a vontade de visitar o lugar esteve sempre presente. Em outras ocasiões em que fomos à Gramado sempre existiu a possibilidade de contratar uma agência para nos levar até lá com os veículos deles. Não sou muito fã de ficar amarrado em horários de terceiros, então nunca aderimos a esta opção.

A mudança.

Depois da aquisição do nosso “brinquedinho 4×4” nossa capacidade de enfrentar terrenos não tão agradáveis foi ampliada. Logo, encarar novamente aquela estrada maldita já não era mais um empecilho.

Quando a Mona (minha esposa) chegou do trabalho larguei a minha ideia: Que tal deixarmos Urubici para outro dia e irmos conhecer os cânions?

Poucos minutos depois havíamos decidido pela troca. Iríamos conhecer os cânions!

Nossa estratégia: Hospedagem em Canela e deslocamento diário de pouco mais de 100 Km para visitar os seguintes pontos turísticos:

Dia 1 – Cânion do Itaimbezinho.

Dia 2 – Cânion Fortaleza.

Dia 3 – Cascata dos Venâncios, Passo do S e Passo da Ilha.

A opção por Canela ao invés de Cambará do Sul (apenas 20 Km dos cânions) foi pelo fato de que Canela/Gramado oferecem muito mais opções gastronômicas, de hospedagem e o mais importante, de lazer, caso a previsão do tempo não se cumprisse e acabasse chovendo.

Com os planos traçados, liguei para um hotel em Canela e para a nossa sorte o mesmo tinha quarto disponível. Em tempo recorde fizemos as malas, carregamos todo o equipamento no carro e às 14:00 estávamos saindo de Jaraguá do Sul rumo a Canela – RS.

Uma parada para abastecer, outra para jantar e às 22:50 chegamos no hotel. Era hora de descansar para acordar cedo no outro dia e finalmente, após 12 anos, conhecer o tal do Itaimbezinho.

Dia 1 – Parque Nacional de Aparados da Serra – Cânion Itaimbezinho.

Acordamos cedo, tomamos café da manhã, juntamos o equipamento e ao sair da porta do hotel, uma constatação perturbadora: As ruas molhadas! Havia chovido bastante e o céu estava totalmente fechado. Resolvemos apostar na previsão de sol e seguimos rumo ao cânion. Durante o caminho o céu alternava entre “buracos” azuis, nuvens carregadas e neblina muito forte. Conforme o tempo foi passando, o clima foi mudando. O céu, que antes estava cinza agora se tornou azul e com poucas nuvens, criando um belíssimo dia de sol. A previsão do tempo estava certa!

Chegamos em Cambará do Sul e pegamos a estrada que leva ao Cânion do Itaimbezinho. Ela continua ruim, porém não tão ruim quanto era em 2002. Para ser sincero, não recomendo percorrê-la com um carro de passeio comum, é muito mais sensato contratar uma empresa de turismo da região e utilizar o transporte deles, mas a maioria não pensa da mesma forma e mandam ver com seus carros pela estrada cheia de buracos e pedras, afinal o mercado de auto peças precisa girar…

Após os quase 20 Km de sacudidas chegamos na entrada do parque. Uma portaria bem estruturada recebe os visitantes. Dali pra frente o caminho é asfaltado até o estacionamento. Deixamos o nosso carro e fomos até o centro de atendimento, onde são passadas as informações sobre as trilhas do parque.

O Cânion do Itaimbezinho é um dos maiores do Brasil. Sua extensão é de 5,8 Km e a largura varia entre 200 e 600 metros. A profundidade máxima é de 720 metros. A cascata Véu da Noiva cai de uma altura de 700 metros, espalhando-se em um belo nevoeiro antes de tocar o chão. Os visitantes podem percorrer duas trilhas na parte alta do cânion, uma das trilhas tem 3 Km de extensão (somente ida) e a outra em torno de 700 metros, são elas:

Trilha do vértice: A menor delas, tem início no centro de visitantes e leva o visitante até a borda do cânion, proporcionando uma visão bem próxima da cascata da Andorinha e a cascata Véu da Noiva ao fundo.

Trilha do cotovelo: Com Pouco mais de 6 Km ida e volta o visitante tem uma visão de 70% do cânion. Parte desta trilha é realizada em meio à floresta, para então chegar em um campo aberto onde contempla-se toda a imensidão das paredes do cânion e também a cachoeira Véu da Noiva. Recomenda-se fazer primeiro esta trilha, pois como ela é a mais longa e proporciona uma visão maior, acaba tomando muito mais tempo, então é melhor planejar bem o tempo de permanência.

Seguimos a recomendação e fomos direto para a trilha do Cotovelo. No início a caminhada em meio à mata não impressiona, pois não tem-se visão dos cânions, mas quando chegamos mais ou menos na metade da trilha a paisagem se abre e os paredões de pedras estão bem na nossa frente. O tempo ajudou e o céu estava fantástico! Um azul forte contrastando com algumas nuvens espalhadas completavam aquela maravilhosa paisagem. A vista da cascata Véu da Noiva a partir do mirante é um dos pontos altos da caminhada, pois o visitante fica bem na frente dela. Seguimos mais um pouco adiante, sempre na borda do cânion, que possui vários pontos de observação e chegamos ao fim da trilha. Lá um ponto de descanso onde o visitante fica de frente para a fenda do cânion, uma bela visão para encerrar o caminho. Ficamos um pouco por lá contemplando aquele espetáculo e retornamos para o centro de visitantes.

Chegando no centro de visitantes, era a hora do almoço. Um espetacular pacote de biscoitos de aveia, água mineral e era hora da segunda (e menor) trilha. A trilha do vértice é bem menor, consegue-se ver aproximadamente 30% dos cânions, porém eu achei esta trilha mais bonita. A vista da cascata da Andorinha bem de perto com a Véu da noiva ao fundo parece dar uma noção ainda maior da imensidão do cânion. Sem contar que a trilha em si é mais divertida, pois cruza-se um ribeirão, parte do terreno é um pouco mais acidentado, ou seja, questão de gosto mesmo. Conselho? Faça as duas e tire sua própria conclusão.

Missão cumprida no dia 1! Hora de voltar para Canela e à noite repor as calorias (e ficar com um crédito calórico) em um restaurante italiano com buffet de sopas, massas, galeto e por aí vai…


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